A grande vantagem de ter um blog é que uma pessoa pode escrever sobre o que bem lhe apetece.

Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005

O amor perfeito foi criado por Hollywood para vender filmes.

Ouvi esta frase não sei onde nem em que situação, mas nunca mais me saiu da cabeça.
É engraçado como o conceito de amor vai mudando ao longo da vida. Quando jovenzinhos, com as hormonas aos saltos, achamos que o mundo é perfeito e que a nossa alma gémea existe, basta procurá-la bem.
Na casa dos vinte, essa idealização da alma gémea já desapareceu. Depois de tanto batermos com a cabeça no tecto, apenas queremos encontrar alguém que nos ature e que seja fácil de aturar.
Aquando trintões, o pensamento já é mesmo “casar, casar já!”. Vemos casais por tudo o que é lado, a nossa família quer ver-nos amarrados a alguém custe o que custar e a lista de casos que não passaram disso ocupam já duas folhas A4.
Depois, já casados e quarentões, vivemos a monotonia da vida. Já experimentámos todas as posições, já sabemos de cor como é o corpo do outro cônjuge e apenas parecemos viver para os nossos filhos. Amor fica sinónimo de convivência, habituação.
Em velhos, então, amor já se transformou mesmo em dependência.
Eu sei que estou a generalizar e que esta é uma imagem muito negativa daquilo que é uma vida a dois, mas a minha situação actual é de total desacreditação face àquilo a que chamam de Amor. Não estou com paciência para engates, para o começar tudo de novo, para o paraíso das primeiras semanas e a desilusão das seguintes.
Não sou fácil namorada, admito. Há uma música do António Variações que reproduz na íntegra o que sou numa relação: “Eu só estou bem onde não estou, porque eu só quero ir aonde não vou”. Quero quem não tenho e ignoro quem me quer. Quando estou com pessoas carinhosas aquilo parece-me muito lamechas, quando estou com alguém que nada tem de romântico só me apetece é jantares de velas. Quando dou quero receber e quando recebo não me sabe bem…
Não me considero uma pessoa difícil (nem pouco mais ou menos), mas no que concerne a relações, caramba, ainda tenho um longo caminho a percorrer…
Uma amiga uma vez disse-me que o meu mal era ser demasiado exigente. Olha foda-se, então se eu quero encontrar alguém que em principio será meu parceiro para toda a vida, não terei que ser exigente? Não terei que escolher o melhor? A coisa não está fácil para o meu lado, mas não é por falta de opções. É sim porque hoje, agora, não acredito no amor. Este foi inventado, ouvi dizer… Sim, por Hollywood.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?