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Sexta-feira, Junho 04, 2004

Tinha ido à sala fazer uma pausa no estudo e fumar um cigarro, quando, ao fazer zapping, vi que estava a começar um filme na SIC. “Vamos lá ver o que vai sair daqui”, pensei, enquanto via o genérico inicial…
Percebi então que era o Monster's Ball («Depois do Ódio», em português) e como já me tinham falado do filme, pensei ver a primeira parte para ver se me interessava. Bom pensamento... Vi o filme todo, que me tocou bastante. Fartei-me de chorar como já há muito tempo não acontecia e houveram alturas em que até solucei!
Trata-se de um drama sobre duas pessoas, Hank (Billy Bob Thornton) e Letícia (Halle Berry), completamente diferentes mas ambos com uma vida cheia de morte e sofrimento. Ele é guarda prisional encarregado das condenações dos condenados à morte, uma pessoa fria, dura e racista. Ela tem o seu marido preso, condenado à morte (adivinhem quem conduz os rituais…), um filho obeso e dificuldades financeiras.
A vida deles cruza-se numa noite de desespero, onde o sofrimento de ambos dá início a um romance inesperado.
Com uma belíssima prestação de ambos os actores (Halle Berry ganhou o Óscar da Academia de Melhor Actriz, tornando-se na primeira mulher negra a conseguir este feito), Monster's Ball é um filme brilhante, onde o realizador, Marc Foster, retrata o ódio, o racismo, o sexo desesperado (numa cena que surpreende pela frontalidade) e a morte de uma maneira bastante perspicaz e intensiva.
Só pecando em algumas contra-cenas, que não estavam bem coreografadas, Monster's Ball é, sem dúvida, um filme a não perder. Mas para os mais chorões (como eu), não se esqueçam dos lencinhos de papel…

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