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Segunda-feira, Maio 10, 2004

Estava ansiosa por ver o segundo episódio do Kill Bill 2. Já disse muitas vezes que sou fã do Quentin Tarantino. Gosto da pessoa em si, do facto dele possuir uma cultura vastíssima em cinema, de inovar e ir contra os princípios hollywoodescos e de não ter qualquer ar de superioridade… É apenas um brilhante escritor de argumentos que realiza grandes filmes e interpreta também papéis nalgumas películas com algum prestígio.
Já diz o povo que “quando se ama, o feio bonito parece”, e também já toda a gente sabe que quando se vai ver um filme com elevadas expectativas, o resultado final nunca nos satisfaz.
Foram ambas as sensações com que fiquei quando vi Kill Bill 2. Tinha uma expectativa muito elevada e o filme desiludiu-me um pouco por não ser a obra-prima que esperava, mas, por outro lado, adoro o Tarantino e não consigo não desgostar de algo que ele faça...
Quando vou ao cinema de propósito para ver um filme específico, tento não ler nem saber nada antes sobre o mesmo: quero ser totalmente apanhada de surpresa. Daí esperar muitas mais cenas de combates, muito mais sangue, muito mais raiva. Totalmente o contrário daquilo que encontrei. Esta segunda parte é bem mais descritiva, dá-nos o porquê do massacre, um Bill de carne e osso (sinceramente, escolheria alguém bem mais charmoso que o David Carradine para o papel), um nome para The Bride. Mostra-nos o seu romance com Bill, o treino com um (cómico) duríssimo mestre e a capacidade de persuasão de Uma para levar a vingança até ao fim. Aliás, ela, nos cinco minutos iniciais, avisa logo, para quem tem dúvidas, que irá, de facto, matar Bill.
Houveram cenas do filme que eu não posso deixar passar em branco: a brilhante realização quando The Bride é enterrada viva e ouvir, cada vez mais longínquo, o som da terra a cair em cima do caixão é quase claustrofóbico! A luta entre The Bride e Elle Driver (interpretada na perfeição por Daryl Hannah) é orgástica, pois sobe de intensidade até atingir o clímax perfeito… Aliás, toda a personagem de Elle Driver é magnífica, muito típica de Tarantino: a pura malvadez aliada a uma sensualidade extrema (conceitos também caracterizadores de Esteban Vihalo, pai adoptivo de Bill). Eu, se fosse má, gostava de ser assim, terrível! O diálogo do flashback da descoberta da gravidez de Uma, na minha opinião, é bastante divertido… A cena da Mummy a embalar a B.B. ao som da música About Her de Malcolm Mclaren está, também, muito tocante (procurem o sample aqui). E, claro, a meia hora final do filme, onde, finalmente, se diz e mostra tudo o que faltava para a sua completa percepção.
Gostei, claro que gostei... Se esperava mais? Sim, na medida em que o Quentin Tarantino já habituou os fãs a colocarem a fasquia o mais alto possível...

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