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Quinta-feira, Dezembro 18, 2003

Depois da terrível dúvida entre ir ao cinema ou ir para casa, vi nos comentários a Joana a pedir para ser convidada. Coitada, como ela nunca sai à rua, telefonei-lhe logo a combinar uma almoçarada no meu refeitório. Como já não nos víamos desde o fim-de-semana, foi só dar à língua enquanto comíamos umas almôndegas (ela) e uma alheira (eu) deliciosas.
Depois do café insisti então para ela vir ao cinema comigo. Ao início não queria (sempre o maldito dinheiro!), mas depois lá aceitou e foi uma correria para chegar ao Cinema Quarteto, porque é o único cinema na capital portuguesa que tem o Roger Doger, que é o filme que queria ver, depois de ter lido o post deste senhor.
Nunca tinha ido ao Quarteto, mas gostei muito do espaço e do bar que tem à entrada com mesinhas a convidar uma conversa pós-filme… Só tenho uma crítica: os filmes não têm apresentações, o que fez com que, apesar de termos chegado apenas um minuto atrasadas, tivéssemos que andar à procura dos lugares às escuras com as mãos a segurarem os bilhetes, os trocos, o telemóvel para iluminar, o jornal, e isto tudo enquanto tentávamos acompanhar o rápido diálogo dos actores. Lá nos sentámos nuns lugares quaisquer e começámos a ver o filme, comentando em surdina certas cenas e rindo de alguns diálogos.
Não estava nada à espera de um filme assim, até porque só tinha lido a sinopse no jornal, mas gostei imenso. Fala de sexo e de engate, mas sob uma perspectiva pouco tratada nos filmes, a masculina. É engraçado ver a lábia do protagonista, a visão romântica do sobrinho e a Isabella Rossellini com uma atitude controladora da relação, normalmente, em filmes, característica de alguns homens.
Vão vê-lo com um grupo de amigos, merece a pena. É claro que saímos do cinema a falar de sexo, engate e folia, mas isso não vou por isso aqui… Afinal, a minha vida não é pública, pois não?

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